Fora do poder, Lula continua erra(n)do

14 jul

Seja por falta de outros nomes capazes de derrotar a oposição na capital ou por caprichos particulares, Lula quer emplacar a candidatura de Fernando Haddad à prefeitura de São Paulo.

Sabe-se que já há algum tempo a possibilidade está na agenda de discussões do PT, cuja inquietação não é infundada, afinal, trata-se do município com maior arrecadação e produção de riquezas do país.

Também, é reduto da oposição, que no passado recente venceu a maioria das eleições sem muitas dificuldades – exceção feita a um interstício petista, de Marta. Derrubar essa relativa hegemonia é o maior objetivo do PT e de Lula em 2012.

Entretanto, o desafio não será fácil, especialmente se Serra concorrer de novo, possivelmente com o apoio do atual prefeito, seu pupilo e dissidente do DEM, que não raro é flagrado flertando com petistas, peemedebistas e outros aliados da esfera federal tentando obter apoio para seu partido recém-fundado.

Hoje, as possibilidades petistas são inúmeras. Consensual mesmo é que o partido terá candidato próprio. O surgimento do nome do atual ministro da educação, Fernando Haddad, aparece em primeiro na lista de preferência do chefe – o que significa uma vantagem imensa, senão o próprio desenlace, pois no partidão suas vontades quase sempre se consubstanciam em mandados.

Marta e Mercadante, antigos conhecidos do eleitorado paulista, correm por fora. A atual senadora tem atuado de forma satisfatória para os padrões brasileiros no Senado. O ministro da ciência e tecnologia, por outro lado, é de novo protagonista principal no escândalo dos aloprados, que se arrasta desde 2006, e cujo desfecho e punição dos culpados parecem remotos. Ambos não têm cacife para derrotar Serra em São Paulo.

A candidatura de Haddad se fundaria na plataforma de mudança e renovação, acompanhada de um currículo acadêmico favorável do ministro. Embora seja uma hipótese que poderia ser aceita pelo eleitorado, sua atuação à frente do MEC tem sido desastrosa, gerando desconfianças entre os petistas.

Atulhado de projetos falhos, declarações estúpidas e posturas inadmissíveis, o mandato do ministro distingui-se pelos desacertos.

O ENEM, sem dúvidas, é o caso que mais evidencia a inépcia que toma conta da pasta. Em 2009, não esqueçamos, a prova foi furtada por funcionários da gráfica responsável pela impressão da prova, gerando prejuízos enormes para o erário – que ainda não foi ressarcido. O exame foi adiado e a abstenção recorde chegou a mais de 1/3 dos inscritos, mais de 1 milhão e meio de pessoas.

Ano passado, várias provas apresentaram erros nas folhas de respostas, lesando outros milhares de alunos. E pior: o MEC, por meio de seu twitter oficial, afirmou “monitorar” os estudantes, e ameaçou processar os que já haviam “dançado” na prova e que estariam apenas tentando “tumultuar com msgs nas redes sociais”. Patrulhamento, agora virtual, que lembra governos não muito democráticos…

O material didático distribuído aos estudantes também é objeto de críticas. A começar pela inflexão político-partidária de algumas obras, que rasgam elogios ao governo Lula e críticas aos antecessores. Um alheamento social nocivo cujas conseqüências são difíceis de avaliar. Certo é que não serão boas.

A utilização de formas gramaticais totalmente descabidas da língua, que doem aos olhos e ouvidos, é admitida no curso de português: “Nós pega os peixe”, segundo o livro, não é errado, somente “inadequado”, e que os alunos que falarem ou escreverem dessa forma devem ter “cuidado” – não porque estarão cometendo erros crassos – mas porque podem sofrer “preconceito lingüístico”.

Talvez o livro tenha tomado como padrão culto os discursos de Lula… Entristece-me o fato de milhões de brasileiros serem sujeitados a esta educação risível.

Haddad alega que a insatisfação geral não tem fundamento, já que os críticos não leram o livro. Ainda utiliza uma metáfora pouco usual para um político: “Há uma diferença entre o Hitler e o Stalin que precisa ser devidamente registrada. Ambos fuzilavam seus inimigos, mas o Stalin lia os livros antes de fuzilá-los. Ele lia os livros, essa é a grande diferença”. Rebaixo-me ao nível do ministro para contradizê-lo: se Hitler não lia, foi mais ignorante que Stalin; logo, o genocídio e limpeza étnica alemães foram muito mais justificáveis do que os soviéticos, pois praticado por um indivíduo cuja capacidade intelectual era reduzida – enquanto o outro, por um ilustrado e culto.

Babaquices como essas são recorrentes na esfera política, mas confesso ter sido surpreendido, pois Haddad é doutor em filosofia e possui vários livros publicados, apesar de discordar da posição preconizada na maioria deles. Tudo bem vai, talvez tenha sido uma declaração impensada, pronunciada em meio às pressões da ocasião e da opinião pública, ansiosa por esclarecimentos.

Ainda, a suspensão do kit anti-homofobia, projeto encabeçado pelo MEC e que estava pronto para ser distribuído nas escolas, mas que foi vetado por Dilma em razão do lobby religioso. No mínimo, falta comunicação entre a presidência e o ministério, que gerou prejuízo da ordem de alguns milhões para os cofres públicos, segundo estimativas oficiais.

Embora seja um chavão recorrente, a educação precisa ser prioridade para o país; e o problema, atacado nas origens, isto é, no ensino fundamental. De acordo com dados da UNESCO, órgão de educação da ONU, o Brasil lidera a América Latina em índice de repetência no ensino básico – 18,7% ante 2,9% da média mundial.

Outras fontes, como do próprio INEP, retratam uma realidade ainda mais alarmante: 23% dos alunos estão atrasados nos estudos; e 34% sofreram defasagem ao longo da vida escolar. No ranking ‘mundial’ (PISA), em que 65 países são avaliados, o Brasil ocupa o 53º lugar.

Ainda que isto não seja privilégio do governo petista, tampouco do governo federal, inexiste um plano efetivo para a educação, comprometido com seu desenvolvimento e progresso. Vários são os problemas para resolver, desde infra-estrutura das escolas até a capacitação e remuneração dos professores.

Fato é que o atual ministro pouco fez e pouco faz nesse sentido – para não repetir todos os danos causados em sua gestão, marcada por incêndios que ele mesmo causou e posteriormente tentou apagar.

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