Marcelo Rubens Paiva e o zeitgeist petista

6 jun

Nietzsche dizia que a loucura é rara nos indivíduos, mas nas massas é quase sempre a regra.

Ontem li um artigo de Marcelo Rubens Paiva no Estadão, em que faz acusações contra reaças, direita, comediantes, neo-fascismo, Ed Motta, família, entre outros – http://blogs.estadao.com.br/marcelo-rubens-paiva/a-moda-do-reaca/

Começarei do certo e terminarei pelo errado:

De fato, a repressão violenta contra manifestantes na Marcha da Maconha é inadmissível; retrato de uma polícia incompetente e despreparada para lidar com multidões. Aqui terminam os acertos do colunista. Dirijo-me aos erros.

Embora eu sempre tenha deixado claro meu repúdio à dicotomia política clássica e simplista entre direita e esquerda, uso os termos para facilitar a compreensão da mensagem. Até porque, o próprio Paiva diz possuir tendências esquerdizantes.

A régua do bom gosto de Paiva certamente difere da minha. E este é um indício recorrente da esquerda brasileira, e latino-americana em geral: tem dificuldade em conviver na democracia, pois crê na prevalência de suas convicções sobre as demais, e por vezes vemos tentativas de sufocar os destoantes. 

Ser de direita virou sinônimo de preconceituoso, elitista, fascista, contrário aos movimentos sociais, etc. É um simplismo cercado de exageros que funciona numa sociedade deseducada como a brasileira.

Os extremismos, tanto de direita quanto de esquerda, são sempre perigosos e frequentemente flertam com ditaduras e intolerâncias. O modus operandi dos governos totalitários, exemplos típicos daquilo que se tem por extrema-direita, é exatamente o mesmo dos comunistas, exemplos da extrema-esquerda.

Em ambos há a exacerbação do Estado, uma ideologia oficial a que todos devem aderir (por bem ou por mal), um partido único (conduzido, na maioria das vezes, por um só homem), o monopólio das comunicações e o controle estatal da economia.

Daí por que meu repúdio aos simplismos e extremismos.

Num projeto de manutenção do poder a qualquer custo, há a necessidade de criação dessa ideologia oficial, normalmente acompanhada por um inimigo a ser derrotado. No Brasil do PT, ora a elite, ora a imprensa.

A elite, que ninguém consegue definir, é na verdade um corpo fictício criado pelos barões populistas para manobrar a massa deseducada. Se, ao contrário, vocês entendem por elite aqueles que têm dinheiro – a meu ver, única plausível – estão muito mal representados, pois aquilo que vocês chamam de esquerda, hoje enriquece milhões inexplicavelmente.

Já a imprensa, ou o PIG, como gostam de chamá-la os anencéfalos, é a outra inimiga dos pobres e oprimidos. Esquecem-se (ou melhor, omitem), apenas, que os aliados da dita esquerda, são proprietários de vários e vários conglomerados de comunicação nos estados em que os índices de analfabetismo são alarmantes.

O contrário a essa ideologia oficial, portanto, deve prontamente rechaçado. Só que bons observadores, como eu, facilmente percebem as contradições e hipocrisias desse sistema.

Veja, por exemplo, o vídeo de Luiza Erundina em campanha para o PT nas últimas eleições:

Excluindo minha teimosia particular quanto a políticos que berram, os quais eu sempre vejo com desconfiança, observe que a deputada refere-se aos nordestinos como cabeças-chatas.

Se a referência partisse de Diogo Mainardi ou Rafinha Bastos, mencionados no texto, nem preciso dizer que seriam tachados de preconceituosos e execrados pela dita esquerda.

Paiva está contaminado por aquilo que podemos chamar de mal de Lula, enfermidade mental que aflige milhões de estúpidos e que limita o raciocínio lógico e o espírito crítico. Um dos sintomas é exatamente não conseguir diferir uma manifestação notadamente jocosa da preconceituosa. É crer piamente que no Brasil existe uma conspiração da elite e do PIG, embora ninguém tenha provado a existência de nenhum deles. É ser contra a direita mesmo não sabendo o que significa, para ser aceito e inserido na consciência social.

Bem, parafraseando o filósofo Denis Lerrer Rosenfield, eu “não vejo problema nenhum em ser chamado de direitista. Se direita no Brasil significa a defesa da liberdade pessoal, do estado e do direito de propriedade, sou de direita, sim, com muito orgulho”.

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