As bravatas lulistas

16 out

Ontem disse que FHC foi imprudente ao desafiar Lula publicamente. O petista reapareceu para prestar socorro à sua apadrinhada, em comício realizado em São Paulo. Com a candidatura à deriva devido às Erenices e às contradições do partidão, ele fez o previsto: ataques ao adversário Serra, às elites e à imprensa, que, segundo ele, fazem uma campanha mentirosa, vergonhosa e preconceituosa contra a companheira Dilma.

Nesses momentos, lamento não termos um canal direto de comunicação com a Presidência da República ou com a direção dos partidos. Muito se poderia aprender com respostas a questões como: “A que mentira V. Exa se refere?”

Dilma deu entrevista (veja abaixo) à Folha em que acha um absurdo o aborto não ser permitido, além de duvidar da própria crença em Deus. Ora, ou se crê ou se tem dúvidas. Ou ela crê apenas quando precisa da proteção divina? Acreditar em Deus é como o amor: se há desconfiança de sua existência, então não é amor. (Perdoem-me pelo clichê)

Dirão: as pessoas podem mudar seus pensamentos, posições políticas, crenças e até o sexo. Por que não poderiam passar à devoção de um dia para o outro?!

Sim, podem! Ocorre que no caso de Dilma não foi de um dia para o outro. Foi de uma pesquisa para outra. De um sermão para outro. De uma missa para outra.

É patente que sua mudança repentina decorreu de um interesse eleitoral, e não de seu linfoma, como ela chegou a sugerir. Aliás, essa questão de sua enfermidade, aliada ao nascimento de seu neto, vieram no momento certo para Dilma. Dois ótimos pretextos para passar a crer em Deus e ser contra o aborto.

Aí, quando o tiro saiu pela culatra e a vaca começou a ir em direção ao brejo – usando das expressões populares – o PT e Dilma tiveram que recuar e se submeteram às exigências dos religiosos.

Sabem a qual herói da Revolução Francesa Dilma se assemelha? Robespierre. Não por ela ter ideais à frente de seu tempo e formação baseada em valores e princípios como a liberdade e a igualdade. Mas porque Robespierre, tal como Dilma, mudou sua posição conforme a conveniência: o líder jacobino repudiava a pena de morte até tomar o poder. Quando isso ocorreu, passou a executar seus inimigos e opositores de forma desenfreada. E no momento que todos ficaram com medo de sua política, também o mandaram para a guilhotina.

Bom, depois dessa invasão de um período histórico do mundo ocidental, retorno ao tema que, se lembrado na História, o será de forma negativa: Lula.

Sua estratégia de vitimizar Dilma continua. Segundo ele, há preconceito contra a mulher e contra os negros – aliás, essa seria a razão de Netinho não ter sido renegado ao Senado. Não ocorreu a Lula que o pagodeiro não se elegeu por que não possui nenhuma biografia política? Ou por que ele batia em sua esposa? Ou por que ele foi o vereador que mais faltou às sessões da Câmara? Os paulistanos já elegeram um negro para o cargo mais importante do município, e sua gestão foi considerada ruim não pela cor de sua pele, mas pelas improbidades que a mancharam. O mesmo vale para o suposto preconceito contra a mulher: opa, alguém aí se esqueceu da Marta?! Essa não cola, Lula!

Dilma, numa tentativa de comover o sexo feminino, disse que “67% das pessoas querem uma mulher na presidência”. De acordo com ela, nós votamos pelo sexo dos candidatos, e não por suas ideias, preferências partidárias, históricos etc.

Até a outra ex-prefeita de São Paulo, Luiza Erundina, deu as caras no comício: “Aqui é tudo cabeça chata, tudo gente de pescoço curto, tudo nordestino, tudo presidente Lula”, disse ela. Imagino que ela tenha dito isso porque o comício era em São Miguel Paulista, bairro pobre da zona leste da capital. Queria ouvi-la dizendo isso no Parque do Ibirapuera.

O PT promove a auto-ignorância do povo e incita o ódio entre as classes, raças e sexos. Intimida os adversários e a imprensa e os classificam como inimigos a serem derrotados nas urnas. Os petistas dizem serem vítimas do preconceito e da mentira, quando na verdade eles são os que mais se utilizam desses expedientes, ainda que isso signifique rasgar bandeiras históricas que até ontem erguiam. E  já demonstraram que farão tudo que for necessário para eleger Dilma Rousseff. Se Serra crescer nas pesquisas, esperem pelo pior!

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Uma resposta to “As bravatas lulistas”

  1. Anônimo outubro 19, 2010 às 1:01 am #

    Muito interessante os artigos e comentários
    muito bom mesmo
    parabens

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