Campanha petista virou uma zombaria

13 out

Dilma demonstrou outra faceta no debate: uma pessoa odiosa, cheia de rancores, agressiva. Seu semblante demonstrava notável repulsa. Mas, a quê? Seriam sua indignação e grosseria justificadas? Por que uma atitude tão feroz e ríspida? Por que repentina alteração na condução da campanha, que até então se baseara em exaltar as benfeitorias, ainda que enganosas?

Fui em busca de respostas. Para tanto, precisei rever o debate. A candidata petista iniciou o debate alegando, em tom severo, ser vítima de uma campanha mentirosa e caluniosa, orquestrada pela oposição. Indaguei-me a que Dilma se referia. A julgar pelas recentes manchetes da imprensa e da campanha tucana, apenas três temas vieram à minha mente: aborto, corrupção na Casa Civil e quebra de sigilo dos tucanos.

Bom, o primeiro, largamente discutido, é como dar murro em ponta de faca. O assunto aborto já devia ter sido enterrado pelos petistas há um bom tempo. Mas Dilma preferiu revivê-lo. Tenho minhas dúvidas se Serra teria tocado no assunto. Inúmeras são as entrevistas que Dilma deu a favor da descriminalização do aborto. Vejam, descriminalizar é o mesmo que legalizar, pois a partir do momento em que determinada conduta deixa de ser crime, ela passa a ser lícita. Além disso, há documentos assinados por Dilma e seus correligionários colocando o tema em suas agendas. Como se disse, se o assunto não for enterrado de uma vez por todas, inevitavelmente continuará trazendo prejuízos à sua campanha.

A questão da corrupção na Casa Civil é um pouco mais complexa. Dilma disse estar “indignada” com o caso. Opa! Indignada? Como assim? Indignados estamos nós, o povo brasileiro, com mais um, entre tantos, caso de corrupção em seu governo, Dilma. Difícil compreender a mente perversa de um petista. Talvez a psicologia explique como o político petista consegue ser tão sem-vergonha. Outro dia ouvi que o lulismo se utiliza de artifícios semelhantes aos que Goebbels usava na Alemanha nazista para impor suas verdades e suas máximas. Talvez seja verdade, já que ele conseguiu demonizar o ex-presidente FHC.

Agora, como é que alguém cuja assessora corrupta e que extorquia empresários por contratos com o governo pode ficar indignada com a situação?! Só se for indignação com a própria Erenice, certo? Errado. O petista pensa que denúncias da imprensa invariavelmente possuem vieses eleitoreiros. Ainda que esta ou aquela mídia manifeste sua preferência por candidato X ou Y – não justifica que todas as suas denúncias sejam desprovidas de fatos. Até porque, a própria imprensa apresentou comprovantes de depósitos na conta de um dos filhos da ex-ministra Erenice Guerra. Se isso é acusação mentirosa e caluniosa, o que seria uma acusação justa e verdadeira? Os valores petistas são realmente estranhos.

Por fim, a quebra de sigilo. Primeiro, não custa lembrar que os petistas são reincidentes nessa modalidade criminosa. Anos atrás, Antonio Pallocci – hoje um dos coordenadores da campanha de Dilma Rousseff – ordenou à CEF a quebra de sigilo bancário do caseiro Francenildo, que o havia acusado de participar de festas com presença de garotas de programa. Dias depois, Pallocci caiu. Ué, ministro petista caindo por causa de garotas de programa?! Talvez seja por isso que eles querem tanto legalizar a profissão. Mais empregos para a conta de Lula! O resultado disso é a CEF condenada a pagar 500 mil reais de indenização ao caseiro. Ou seja, 500 mil a menos na conta dos brasileiros.

Bom, voltando ao caso da quebra de sigilo, agora fiscal: descobriu-se que o sigilo de inúmeros tucanos haviam sido violados por funcionários da RF em Mauá, Santo André e numa cidade mineira. Em um primeiro momento, o caso ficou sob a investigação da própria Secretaria da Receita, que inegavelmente tentou postergar o relatório final das investigações, antecipando, inclusive, numa clara manobra eleitoreira, que aquele só sairia após as eleições. Com a pressão da opinião pública, da oposição e da imprensa, a SRF recentemente divulgou que o acesso aos dados fiscais dos tucanos foi de fato realizado por um petista. Ora, se a própria Receita, que é chefiada por um petista, concluiu que um petista acessou sem motivo os dados fiscais de tucanos, por que a petista Dilma considera tais acusações caluniosas e mentirosas?

Serra sugere a vitimização da candidata petista. Vitimização, prática recorrente na política brasileira, é mostrar-se como vítima. O melhor exemplo é o de Lula, que se coloca como um herói triunfante sobre os golpistas, aquele que lutou contra tudo e contra todos que não o queriam como presidente da República. Mitificou-se o homem. Daí sua licença para fazer o que bem entender. Não importa o que faça, será sempre vítima da imprensa reacionária e da zelite que não digere um operário no poder.

Outra acepção ocorre quando uma pessoa culpa outros por aquilo de que ela mesma é a responsável. Esse se encaixa melhor no perfil de Dilma, já que ela não é mitificada como Lula, embora seu marketing tenha tentado. Assim, ela assume um papel conveniente para a campanha, mas que pela lógica dos fatos acima não se admite: conveniente porque, como o próprio Serra disse, as pessoas tendem a se solidarizar com as vítimas; inadmissível porque os fatos demonstram que ela direta ou indiretamente é responsável por todas essas crises que tem ocupado as manchetes dos jornais.

Se essa postura de Dilma persistir, caberá ao PSDB desconstituir tal personagem manipulador, fruto de criação do PT ou do novo integrante da campanha petista: Ciro Gomes.

O renegado do Ceará é agora coordenador da campanha de Dilma. Acho que passarei a dedicar mais linhas a ele do que a ela. Ela não tem história, é assunto chato, batido e monótono.

Ciro não. Ciro rende ibope, rende audiência. Escavar sua biografia é como uma box of chocolates para Forrest Gump: você nunca sabe o que vai encontrar. E também nunca sabe o que vai dizer. Em abril deste ano, ele afirmou que Serra era mais preparado que Dilma para assumir a presidência. Na mesma semana, o cabra-macho nordestino classificou o PMDB, aliado ao PT, de “um ajuntamento de assaltantes” e Michel Temer, vice de Dilma, como “chefe dessa turma sem escrúpulos”. Para piorar, Ciro sequer votou em Dilma, pois estava em São Paulo no dia da eleição.

Resumo da ópera: o PT contratou um coordenador de campanha para o 2º turno que considera Serra mais preparado, classificou o principal aliado dos petistas como um bando de ladrões chefiados pelo vice de Dilma e que sequer votou em sua candidata. Não é a toa que ela cai nas pesquisas.

 

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2 Respostas to “Campanha petista virou uma zombaria”

  1. josé reinaldo outubro 13, 2010 às 8:35 pm #

    A verdade pode ser dita a todos, que será interpretada por todos como verdade, embora aceitem ou não.

    Já a Mentira, é dita para agradar a alguns, e desagradar a outros.
    Não tem jeito da mentira agradar a todos.

    Por isso O Pt, está encurralado, uma hora tem que falar para alguns, outra hora falar para outros, aí não tem jeito, agrada e desagrada ao mesmo tempo.

    • contradita outubro 14, 2010 às 1:44 pm #

      Concordo. Eles estão tentando achar um ponto comum, que agrade o maior número possível de pessoas e desagrade o menor.
      Mas, tá difícil. Creio que se a campanha de Serra melhorar um pouco ele passa a ter melhores chances na eleição.
      Abraços!!

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