Agora é a nossa vez

10 out

 

 

Ângela Guadagnin ao ritmo da impunidade - marca registrada do governo Lula

 

Muitos petistas vêem no governo Lula a interrupção da era marcada pela submissão ao capital estrangeiro, às grandes potências e às políticas neoliberais e entreguistas. Findaram-se 500 anos de subserviência e hoje o Brasil é respeitado mundo afora. Para eles, paradigmas foram quebrados.

O que vejo, contudo, é que no plano econômico, o Brasil continua com políticas semelhantes às do governo anterior; privatizações ainda acontecem e o entreguismo nunca foi tanto – é só ver o que aconteceu com a Petrobrás na Bolívia e com Itaipu, em relação ao Paraguai. O que não nego é a ruptura de paradigmas, mas não a ruptura que o lulismo quer que você, leitor, acredite.

Rompeu-se com a ética, com a moral e com a probidade. Hoje, sequer há a pretensão de parecer honesto. Provas cabais tornaram-se insuficientes. É como uma concessão para corromper. Esse é o preço que se paga pelo populismo.

A estratégia lulista consiste em negar tudo que se afirma; descredenciar as denúncias e os denunciantes (normalmente a imprensa), acusando-os de golpistas e de torcedores do time contrário; em um terceiro momento, incitar o ódio entre as classes, através das bravatas e discursos demagógicos.

Isso tem funcionado. No caso do mensalão, por exemplo, Lula disse que o escândalo não existia, que se tratava de mera criação da imprensa comandada pela zelite paulista e, por fim, conclamou o povo, anestesiado, a derrotar os golpistas nas urnas. Anos depois, Lula admitiu que foi alertado sobre a existência do esquema – o que constitui crime de responsabilidade. Mas estamos falando do Brasil de Lula. Leis apenas para os adversários.

O caso de Sarney é também aterrador. Após inúmeras denúncias de atos secretos, empréstimos consignados e do nepotismo desenfreado que infectava o Senado, Lula dissera que Sarney não poderia ser tratado como uma pessoa comum. Mercadante, líder do PT na Casa disse na tribuna que, caso o PT ficasse ao lado de Sarney, abandonaria a liderança – decisão essa, irrevogável. Um dia depois, após conversa com Lula, o senador petista revogou o irrevogável.

Citemos, ainda, o caso da quebra de sigilo dos tucanos. Meses atrás, queriam fazer-nos acreditar que tudo não se passava de uma manobra eleitoreira e suja da imprensa. Hoje, comprovou-se que o autor do crime era de fato um petista.

Erenice Guerra, ex-ministra da Casa Civil, caiu após várias denúncias envolvendo ela e seus familiares. Até extorsão de empresários faziam. Tem-se os comprovantes de depósito na conta de seu filho. Ora, o que mais precisa? Lula sequer manifestou-se contrário à corrupção que ocorria sob seu nariz, com aval de Dilma Rousseff. Ele, como de costume, nada sabe.

A corrupção não surgiu no governo Lula, não. A política é algo tão mal visto pelo povo exatamente porque a corrupção a impregna há séculos. Mas, foi durante seu mandato que a corrupção, a ilegalidade e a imoralidade foram tão banalizadas. Tornaram-se comum. E, como se disse, provas para quê? De um jeito ou de outro, Lula virá a público com sua prática recorrente: negar, acusar a imprensa e incitar o povo por meio do discurso instigador da aversão pelas classes mais ricas.

Lula esconde-se atrás de sua popularidade, e a utiliza para resguardar seus apadrinhados. Nunca antes na história desse país um presidente foi tão conivente com a ilegalidade.

“É como uma licença para fazer qualquer coisa”, parafraseando a qualificação das prerrogativas dos membros da Cosa Nostra, dada pelo personagem principal do filme Os Bons Companheiros, de Martin Scorsese A diferença é que a Cosa Nostra tinha um código de conduta – ainda que com valores contestáveis. No PT, isso inexiste. Todos serão protegidos por Lula e amparados pelo populismo independente do crime.

Parece-me que a trupe petista, cansada de anos e anos como oposição, ao chegar ao poder, declarou: agora é a nossa vez. Como se ilegalidades ocorridas em outras administrações servissem de pretextos para ocorrer na deles. Isso é tão notório que é muito comum um petista rebater uma denúncia de corrupção citando as de governos anteriores. Como se suas condutas se justificassem e se medissem pelas condutas de outrem, e não pela lei – que é o que conta.

Conforme disse Arnaldo Jabor, restam-nos apenas maldições bíblicas, já que todos os recursos legais e provas óbvias não serviram para nada.

 

 

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2 Respostas to “Agora é a nossa vez”

  1. Carlota outubro 10, 2010 às 11:26 pm #

    Muito exagerado…
    Me diga um país que já conseguiu prender um presidente em razão da corrupção.

    A corrupção existe em qualquer lugar do mundo. Isso é inegável, não adianta dizer que ela só existe no governo do Lula.

    Não acho que as ilegalidades ocorridas em outras administrações devem servir de pretesto para serem realizadas…
    Ater-se na corrupção não identifica nenhum partido…

    • contradita outubro 13, 2010 às 1:16 am #

      Não creio que haja corrupção em todos os lugares. Em Honduras, caso recente de Manuel Zelaya, tentou manter-se no poder corrompendo e violando a constituição daquele país. Não foi preso porque fugiu. E eu deixei claro que a corrupção não surgiu com o governo petista. Este apenas foi condescendente com ela. Não procurou culpar os responsávei. Preferiu jogar a sujeira sob o tapete. Conheço inúmeros exemplos.

      Agora, quanto às ilegalidades, converse com 10 petistas e conte quantos deles justificarão a corrupção com as do governo anterior.

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